Projeto Regimes Totalitários

A forma como eu realizo minhas leituras está sempre em desenvolvimento. As mudanças que empreendo passam por testes para que eu descubra a melhor forma de conhecer novos autores, reler antigos, escrever sobre o que leio e outras coisas. Diferentemente do que vejo na internet, não acredito que Literatura seja entretenimento, e sim conhecimento. Leio para aprender desde criança. Nunca a vi como passatempo. Por isso mês passado, repensei minhas leituras novamente. A aleatoriedade delas estava me incomodando bastante. Senti falta de um aprofundamento em cada uma delas. E também  questiono-me sempre acerca do tempo que levo. Gostaria de ler bem mais lentamente do que leio. Mas pensando nesses dois questionamentos, resolvi criar pequenos projetos, no qual eu escolheria romances e livros teóricos acerca de um determinado tema.

A Segunda Guerra Mundial sempre foi uma paixão. Estou sempre lendo ou vendo algo acerca do tema, por isso fiquei tão animada com o lançamento de O tambor, escrito por Günter Grass. Conheci o autor no momento da sua morte, ano passado, se não me lembro. A obra é o primeiro livro de uma trilogia com a temática do Holocausto, momento vivido pelo autor. A partir da imensa vontade de ler a obra, resolvi que o primeiro projeto seria sobre Regimes Totalitários.

DEu-D0_XgAAJZBJOs romances escolhidos foram O tambor, livro já mencionado, a trilogia Os sonâmbulos, de Herman Broch e A peste, obra-prima do escritor e filósofo Albert Camus. Os dois romances possuem estruturas bastante diferenciadas um do outro, o primeiro possui um relato mais histórico e direto acerca do Holocausto, o segundo nos coloca nos momentos anteriores à Primeira Guerra, e o terceiro é uma alegoria das consequências do avanço das tropas de Hitler. Vale salientar que não li nenhum ainda, a escolha foi feita por críticas lidas acerca dos livros.

Confesso que sei que A Montanha Mágica que li há pouco tempo também aborda o tema, mas não consegui abarcar as analogias feitas pelo autor, por isso preciso estudar mais acerca da obra e o reler também para escrever sobre.

Os livros teóricos escolhidos abordam algumas formas de pensar acerca do tema. ADEu9__gXYAAhRsy Alemanha ainda hoje é vista com preconceito por informações e visões que recebemos da mídia norte-americana, por isso resolvi escolher conhecer os dois lados. O primeiro escolhido foi um livro filosófico de uma autora judia muito aclamada e conhecida por nós, Hannah Arendt. Escolhi Origens do Totalitarismo, onde a autora abordará os principais regimes totalitários do século XX. Lerei também Os alemães, livro do sociólogo Norbert Elias, no qual o autor busca explicar como a Alemanha chegou ao momento crítico das duas guerras. Ao ler o prefácio de Os alemães escrito por Eric Dunning e Stephen Mennel, descobri que Bauman havia escrito também um livro chamado Modernidade e Holocausto acerca da temática e que possuía uma visão completamente diferente de Elias. Resolvi acrescentá-lo também às discussões que eu faria.

Compreendo perfeitamente o quão longe estou de abordar a temática na sua totalidade, mas será um começo. Tenho consciência de que durará a vida toda, mas para o Rascunhos Críticos dissertarei acerca dos livros escolhidos. Mas manterei o projeto em aberto. E não colocarei prazo a nenhuma dessas leituras.

 

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Senhor das Moscas, William Golding

Senhor das Moscas foi a obra-prima de William Golding, ganhador do premio Nobel de 1983. Seu sucesso não foi imediato, mas com o tempo tornou-se leitura obrigatória nas escolas norte-americanas. A estrutura escolhida pelo autor foi a alegoria, na qual este usa para discutir acerca da natureza do mal na humanidade, depois do pós-guerra. A maioria das criticas o discutem acerca da relação antagônica da democracia e do totalitarismo, ou ainda como uma alegoria para o mito da origem do mal cristão.

18767620_1798796460135869_8429832506873740176_nA obra nos conta sobre um grupo de crianças inglesas que após um acidente aéreo ficam presas em uma ilha, completamente sozinhas. De inicio, eles decidem escolher democraticamente o líder. O símbolo usado para a discussão é uma concha que um deles encontra perto da praia. Esta faz um barulho que faz com que os meninos entendam ser uma autoridade. Apesar dos esforços do líder escolhido, surge uma nova liderança que usa a força como argumento.

Apesar de parecer um livro de aventuras infantil, o livro discute questões sérias acerca da moral humana. Confesso que o livro não seria minha primeira opção para uma leitura e que não o considero um favorito. Mas O Senhor das Moscas me surpreendeu e me fez pensar em como a Sociedade ainda possui o conceito de criança proposto por Rousseau. Então, preferi abordá-lo de uma forma diferente para que possamos pensar na nossa visão de criança.

O conceito de criança atual é bastante recente. Até o século XIX, elas eram vistas como pequenos adultos. Assim, seus pais não precisavam manter seus cuidados por muito tempo. Depois disso, Rousseau nos apresentou uma criança inocente, com necessidade de cuidados por um longo tempo e que precisava ser defendida do mundo adulto. A partir desse momento, as crianças foram postas a parte desse mundo e foram colocadas no mundo da fantasia. Não me entendam mal, a fantasia faz parte do desenvolvimento infantil. O problema acontece quando as pessoas acreditam que elas são isentas de possuírem a condição humana do mal e da violência. Características, infelizmente, inatas ao ser humano.

William Golding nos mostra uma pequena amostra de uma sociedade humana feita apenas de crianças. Diante do abandono, da fome, da falta de cuidados, elas agem com violência, superstições, anarquia, e ao mesmo tempo com imposição. Suas ações e reações são pertencentes à condição do ser humano. Cada um de nós não pode negar que poderiam ter as mesmas atitudes.

O que me chamou a atenção foi a escolha do autor em utilizar personagens infantis. Talvez sua intenção tenha sido relacioná-las a chamada infância da humanidade, período em que os homens ainda eram tribais. Apesar da infeliz relação tentada pelo autor, não acredito que o progresso tenha ocorrido também na moral da humanidade. Não aceito que sociedades tribais, como as dos nossos índios, sejam impostas ao ‘progresso’ porque outra sociedade se pensa superior às demais, mas esta seria outra discussão, também apropriada à obra.

Voltando ao conceito de criança, Freud defendeu a existência da sexualidade infantil. Wallon, ao estudar acerca da afetividade do infante, soube da também existente crueldade pueril, posto que a afetividade precisasse ser trabalhada desde a infância. Poderíamos citar muitos estudos acerca do desenvolvimento infantil, no qual veríamos a incongruência do conceito de Rousseau.

Assim, precisamos pensar se, apesar de serem necessitadas de cuidados, de educação, de acompanhamento adulto, a criança é dotada da mesma condição inata a todo ser humano ou se a inocência as incapacita de atos cruéis.

Diário da subida #3

A semana já começou com Hans dissertando que a doença traria ao enfermo um certo ar de cultura e seriedade. Absolutamente, concordo com Settembrini, este pensamento é bastante doentio. Me encontro doente nesse momento, seria difícil dizer se do corpo ou da alma. Mas posso afirmar que não possuo esse ar de cultura, pois nem consigo levantar-me da cama. O italiano afirmou que um enfermo é um corpo sem alma, já que tal estado daria prioridade ao corpo. Também concordo e vejo que corpo e alma são indissociáveis tal como os gregos e posteriormente, o filósofo Bergson. Ainda estou lendo sobre o assunto, mas este já me parece bastante interessante.

Em uma outra discussão com Settembrini acerca da Educação, este afirma que um jovem talentoso não é vazio, mas antes cabe ao professor ensinar-lhe o bem e afastar-lhe o mal. Já eu, não considero este, dever da educação formal, mas antes dar-lhe e desenvolver-lhe a faculdade do pensamento. Ele inclusive vê na Música algo que nos desperta, mas que entorpece assim como drogas. Particularmente, penso que esta desperta nossos sentimentos e instintos, mas também nos traz a ordem por conta da forma como é composta, sendo irmã íntima da Matemática. Mas saibam desde já que sei pouquíssimo sobre o assunto.

Mas o ponto alto foi a palestra do Dr. Krokowski que defendeu sua tese de que a doença nada mais é do que a potência do Amor transformada. Novamente surge em questão a relação  intrínseca entre doenças físicas e psicológicas. Penso que em relação a este assunto, preciso me ambientar um pouco mais assim como Hans, já que faz tão pouco tempo que chegamos, apesar de parecer tanto…

 

 

Diário da subida #2

Conhecemos o grupo do ‘único pulmão’. Eles nos surpreenderam com sua alegria constante. Joachim nos lembrou que o tempo nada significa para eles, que a seriedade só existe na vida de baixo. Joachim também nos contou que uma moribunda se esperneava ao receber a extrema unção. Imediatamente pensei se tal moça estava realmente moribunda, já que o doutor estava sempre precisando de camas vagas.

Conhecemos também o Sr. Settembrini, uma das personalidades mais interessantes do sanatório. Suas falas apesar de sempre bem colocadas, nos angustiavam um pouco. Ele também nos falou acerca do tempo, e nos faz pensar que nunca sairemos daqui… Sua ironia, ou maledicência como o mesmo nomea, é a sua melhor arma a favor da crítica. Esta, me parece, não se faz presente em Hans.

Em um momento, Hans passa também a dissertar acerca do Tempo e o relaciona ao espaço. Essa relação sempre me interessou, principalmente da forma tão intrínseca como Hans aborda.

Vivemos aqui como se estivéssemos em um sonho consciente. Tentamos acordar, mas cada vez mais embarcamos nele e ontem Hans já nos disse que teve sonhos estranhos. Em alguns momentos me questiono se é real… E tudo isto em um único dia, no mesmo dia da chegada de Hans ao sanatório.

Diário da subida #1

De início, estranhei a subida. Logo de cara, descubro que o espaço assim como o tempo podem nos fazer esquecer coisas, reconstruir outras. Nossas memórias são a única possibilidade que temos para resignificar o passado. O presente nos está demasiadamente próximo para que possamos conseguir pensá-lo. O futuro ainda não conhecemos. Hans nos acompanha nessa descoberta ao perceber que suas preocupações a cada passo ficam cada vez mais distantes.

O lugar me parece familiar. Sua descrição me parece uma lembrança de um tempo que não conheço. A morte nos parece tão próxima e ao mesmo tempo tão natural. Pessoas morrem aos montes por aqui e como disse Joachim: morrem discretamente. Hans nos conta sua vivência com a morte e vemos a importância da alma sobre o corpo. O que há é apenas matéria. A brevidade da vida sempre fez parte das memórias de Hans. Como seria crescer sabendo o quão breve é a vida?

Refletimos com o narrador acerca da relação íntima entre nossa vida interna e os impulsos externos. Haverá alguma forma de superar o externo? Ele acha que não. Tenho medo que ele esteja certo…

Hans é retratado como medíocre e o narrador tenta justificar o adjetivo. Ele naturaliza as bases da sociedade. Quantas pessoas não conhecemos que são assim? Naturalizam os desmandes do governo, o comportamento correto das pessoas, nossas escolhas durante a vida. Mal sabem elas que toda escolha tem consequências, não importa se você ache que minha escolha é mais fácil.

Hans acreditava no trabalho como um valor absoluto. O narrador afirma que em uma sociedade que necessita saber o “para quê?” das coisas, empreender uma obra que não a responda satisfatoriamente, é difícil. Precisa-se de isolamento e coragem. A Literatura seria uma delas? Seu estudo tem uma finalidade? Continuo a persistir, apesar de todos acharem que estou na idade de trabalhar.

Chegamos até aqui. Imaginamos que tenha se passado muito tempo, mas somos avisados por Joachim que só se passou um dia. O tempo mais uma vez nos prega uma peça. E torna-se personagem principal de nossa viagem.

O ponto alto fora conhecer Settembrini. Suas conversas estimulantes e assustadoras. Mas isso fica para outra parada.

2017: o ano dos desafios megalomaníacos!

Oi gente!

mais uma vez começando atrasados, pois a promessa era voltar no início de janeiro. Mas o importante foi nossa volta!!! E apesar de já ter postado cada um no insta (@annaluacosta), pensei em deixá-los expostos aqui também para ver se esse ano funciona. Estão preparados para o exagero?

O  Grande Desafio 2017 do #cultobooktuber

O desafio consiste em duas categorias propostas pelos canais participantes para cada mês. Nesse desafio irei pensar opções apenas para o 1° semestre para que eu tenha mais liberdade de escolha depois. E vamos as categorias!

Janeiro

  1. Autor negro: AvóDezanove e o segredo do soviético, Ondjaki (lido).
  2. Livro que você abandonou: D. Quixote, Cervantes (lido).

Fevereiro

  1. Autor que tenha seu sobrenome: O fio das missangas, Mia Couto (Seu nome verdadeiro inclui Leite!).
  2. Reler um dos primeiros livros que você leu: (Ainda não sei se coloco Lolita ou Os Mais, lidos ambos na infância).

Março

  1. Um autor português vivo: Homens imprudentemente poéticos, Valter Hugo Mae.
  2. Livro preferido de alguém: Almas Mortas, Gógol (Livro preferido do meu namorado e parceiro aqui no blog, João).

Abril

  1. Livros com ossos no título: Ossos de Eco, Samuel Beckett.
  2. Clássico da Literatura Européia: Retrato do artista quando jovem, James Joyce.

Maio

  1. Ficção sobre maternidade: A filha perdida, Elena Ferrante.
  2. Livro publicado há mais de 100 anos: Divina Comédia, Dante.

Junho

  1. Clássico do meu gênero favorito: O homem que ri, Victor Hugo (O gênero preferido é o romance).
  2. Autor cuja nacionalidade ainda não li: Verão, Coetzee (África do sul)

Para maiores informações sobre o desafio: grupo no face.

Desafio Miserável 2017

O desafio desta vez não possui mês específico. Vamos às categorias!

  1. Livro do Saramago: Ensaio sobre a cegueira, Saramago.
  2. Um autor negro: AvóDezanove e o segredo do soviético, Ondjaki (lido, sim, eu repeti).
  3. Um livro asiático: O livro do Chá, Kakuro.
  4. Um livro de terror: Drácula, Bram Stoker.
  5. Um livro russo: Crime e Castigo, Dostoiévski.
  6. Um livro alemão: A Montanha Mágica, Thomas Mann.
  7. Um romance histórico: Os Buddenbrock, Thomas Mann.
  8. Uma biografia: Os irmãos Mann, Nigel Haminton.
  9. Um livro lançado antes de 150o: Divina Comédia, Dante.
  10. Um calhamaço: O homem que ri, Victor Hugo.
  11. Um fantasia: (Ainda estou pensando, não sou fã do gênero, mas me indicaram História sem fim).
  12. Um livro escrito por mulher: Dias de abandono, Elena Ferrante.
  13. Um livro considerado difícil: Ulisses, James Joyce.
  14. Um livro extra: O idiota, Dostoiévski ou/e Uma vida pequena, Hanya Yanagihara (sim,vou tentar ler os dois).

Para maiores informações: grupo do face.

Desafio Livrada 2017

Não podia faltar, né? Este ano estou super-empolgada, vamos ver se dá certo dessa vez! Vamos as categorias!

  1. Livro ganhador do Jabuti: Benjamin, Chico Buarque.
  2. Um livro japonês: O livro do chá, Kakuro.
  3. Um livro que explore o erotismo: Delta de Vênus, Anais Nin.
  4. Um roman à clef: O homem sem qualidades, Robert Musil.
  5. Um livro com protagonista detestável: Noite e Dia, Virginia Woolf.
  6. Um livro triste: Dias de Abandono, Elena Ferrante.
  7. Um livro de um autor que conheço pessoalmente: Algum da Ana Miranda.
  8. Um livro com engajamento político: Os sonâmbulos – vol1, Hermann Broch.
  9. Um livro que ganhei de um amigo: Dublinenses, James Joyce (Ganhei do Marcelo).
  10. Um romance psicológico: Crime e Castigo, Dostoiévski.
  11. Um livro escrito antes do Renascimento: Divina Comédia, Dante.
  12. Livro resenhado pelo Livrada: Pais e filhos, Turgueniev.
  13. Um livro de correspondências: Caro Michele, Natalia Ginzburg.
  14. Um livro que se passa em um lugar que você já esteve: Quem tem medo de vampiro?, Dalton Trevisan (São Paulo).
  15. Vida e Destino, Vassilli Grossman.

Maiores informações: insta do Livrada.

Então, ficaram assustados? Vamos ter fé e acreditar, não é? rsrs. Torçam por mim!

 

Persépolis, Marjane Satrapi

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Persépolis não foi o primeiro quadrinho que li, mas fazia muito tempo que não lia nada. Ele não só me prendeu, mas me emocionou e mudou muitos conceitos que eu tinha.

Persépolis é a história da própria autora contada em primeira pessoa. Podemos acompanhar junto com a mesma o início do regime muçulmano no Irã. Presenciamos sua infância, onde tinha certeza de que seria a próxima profeta, o impacto do regime na sua vida escolar, sua adolescência na Europa até sua volta para o Irã.

A relação da menina com Deus foi uma parte bastante interessante de ser notada. Todas as noites a menina conversa com Deus de uma forma bastante pessoal. O momento em que Deus se afasta dela foi muito doloroso. Eis o trecho em que suas fantasias esbarram na realidade dura.

Marjane cresce em um ambiente familiar bastante rico intelectualmente. Ela tem contato com livros desde images (1)Marx até Descartes. As conversas entre eles também são bastante estimulantes, principalmente mostram como crianças não precisam ser tratadas de uma forma infantilizada. Os livros acompanham a menina durante toda a sua vida, e em muitos momentos são seu único consolo.

Fiquei bastante impactada por descobrir que o uso do véu só foi obrigatório nos anos 1980, pois sempre fui a favor do respeito das diferentes culturas e religiões e acreditei que fosse um costume de séculos. Saber disso me mudou bastante, saber que isso pode acontecer com qualquer lugar (ditaduras não são exclusividade oriental) me assustou.

O período em que Marjane viveu na Europa me mostrou como nós ocidentais somos preconceituosos e queremos que outras pessoas sigam nosso rótulo para elas. A personagem foi acusada de não ser iraniana o bastante. Em muitos momentos precisou negar sua identidade ou era tratada como um animal de circo.

download (2)Ver além do nosso ponto de vista é algo que sempre venho trabalhando em mim. O preconceito surge do desconhecimento do outro lado da história. Há um perigo enorme em uma história única, alerta que nos faz Chimamanda Ngozi, escritora nigeriana em um vídeo disponível na internet. Em qualquer história que nos for contada, sempre haverá um outro lado. No caso de Marjane, o outro lado é completamente desconhecido no outro lado do mundo.

A importância de Persépolis ultrapassa a deliciosa leitura de um quadrinho, claro que os traços dos desenhos são fabulosos, mas ele representa a outra história. Ele nos sensibiliza e nos coloca dentro do Irã que não conhecemos, juntamente com o Irã que nós conhecemos. Precisamos ouvir todas as histórias, nem que seja um pedaço dela.