Diário da subida #2

Conhecemos o grupo do ‘único pulmão’. Eles nos surpreenderam com sua alegria constante. Joachim nos lembrou que o tempo nada significa para eles, que a seriedade só existe na vida de baixo. Joachim também nos contou que uma moribunda se esperneava ao receber a extrema unção. Imediatamente pensei se tal moça estava realmente moribunda, já que o doutor estava sempre precisando de camas vagas.

Conhecemos também o Sr. Settembrini, uma das personalidades mais interessantes do sanatório. Suas falas apesar de sempre bem colocadas, nos angustiavam um pouco. Ele também nos falou acerca do tempo, e nos faz pensar que nunca sairemos daqui… Sua ironia, ou maledicência como o mesmo nomea, é a sua melhor arma a favor da crítica. Esta, me parece, não se faz presente em Hans.

Em um momento, Hans passa também a dissertar acerca do Tempo e o relaciona ao espaço. Essa relação sempre me interessou, principalmente da forma tão intrínseca como Hans aborda.

Vivemos aqui como se estivéssemos em um sonho consciente. Tentamos acordar, mas cada vez mais embarcamos nele e ontem Hans já nos disse que teve sonhos estranhos. Em alguns momentos me questiono se é real… E tudo isto em um único dia, no mesmo dia da chegada de Hans ao sanatório.

Diário da subida #1

De início, estranhei a subida. Logo de cara, descubro que o espaço assim como o tempo podem nos fazer esquecer coisas, reconstruir outras. Nossas memórias são a única possibilidade que temos para resignificar o passado. O presente nos está demasiadamente próximo para que possamos conseguir pensá-lo. O futuro ainda não conhecemos. Hans nos acompanha nessa descoberta ao perceber que suas preocupações a cada passo ficam cada vez mais distantes.

O lugar me parece familiar. Sua descrição me parece uma lembrança de um tempo que não conheço. A morte nos parece tão próxima e ao mesmo tempo tão natural. Pessoas morrem aos montes por aqui e como disse Joachim: morrem discretamente. Hans nos conta sua vivência com a morte e vemos a importância da alma sobre o corpo. O que há é apenas matéria. A brevidade da vida sempre fez parte das memórias de Hans. Como seria crescer sabendo o quão breve é a vida?

Refletimos com o narrador acerca da relação íntima entre nossa vida interna e os impulsos externos. Haverá alguma forma de superar o externo? Ele acha que não. Tenho medo que ele esteja certo…

Hans é retratado como medíocre e o narrador tenta justificar o adjetivo. Ele naturaliza as bases da sociedade. Quantas pessoas não conhecemos que são assim? Naturalizam os desmandes do governo, o comportamento correto das pessoas, nossas escolhas durante a vida. Mal sabem elas que toda escolha tem consequências, não importa se você ache que minha escolha é mais fácil.

Hans acreditava no trabalho como um valor absoluto. O narrador afirma que em uma sociedade que necessita saber o “para quê?” das coisas, empreender uma obra que não a responda satisfatoriamente, é difícil. Precisa-se de isolamento e coragem. A Literatura seria uma delas? Seu estudo tem uma finalidade? Continuo a persistir, apesar de todos acharem que estou na idade de trabalhar.

Chegamos até aqui. Imaginamos que tenha se passado muito tempo, mas somos avisados por Joachim que só se passou um dia. O tempo mais uma vez nos prega uma peça. E torna-se personagem principal de nossa viagem.

O ponto alto fora conhecer Settembrini. Suas conversas estimulantes e assustadoras. Mas isso fica para outra parada.

2017: o ano dos desafios megalomaníacos!

Oi gente!

mais uma vez começando atrasados, pois a promessa era voltar no início de janeiro. Mas o importante foi nossa volta!!! E apesar de já ter postado cada um no insta (@annaluacosta), pensei em deixá-los expostos aqui também para ver se esse ano funciona. Estão preparados para o exagero?

O  Grande Desafio 2017 do #cultobooktuber

O desafio consiste em duas categorias propostas pelos canais participantes para cada mês. Nesse desafio irei pensar opções apenas para o 1° semestre para que eu tenha mais liberdade de escolha depois. E vamos as categorias!

Janeiro

  1. Autor negro: AvóDezanove e o segredo do soviético, Ondjaki (lido).
  2. Livro que você abandonou: D. Quixote, Cervantes (lido).

Fevereiro

  1. Autor que tenha seu sobrenome: O fio das missangas, Mia Couto (Seu nome verdadeiro inclui Leite!).
  2. Reler um dos primeiros livros que você leu: (Ainda não sei se coloco Lolita ou Os Mais, lidos ambos na infância).

Março

  1. Um autor português vivo: Homens imprudentemente poéticos, Valter Hugo Mae.
  2. Livro preferido de alguém: Almas Mortas, Gógol (Livro preferido do meu namorado e parceiro aqui no blog, João).

Abril

  1. Livros com ossos no título: Ossos de Eco, Samuel Beckett.
  2. Clássico da Literatura Européia: Retrato do artista quando jovem, James Joyce.

Maio

  1. Ficção sobre maternidade: A filha perdida, Elena Ferrante.
  2. Livro publicado há mais de 100 anos: Divina Comédia, Dante.

Junho

  1. Clássico do meu gênero favorito: O homem que ri, Victor Hugo (O gênero preferido é o romance).
  2. Autor cuja nacionalidade ainda não li: Verão, Coetzee (África do sul)

Para maiores informações sobre o desafio: grupo no face.

Desafio Miserável 2017

O desafio desta vez não possui mês específico. Vamos às categorias!

  1. Livro do Saramago: Ensaio sobre a cegueira, Saramago.
  2. Um autor negro: AvóDezanove e o segredo do soviético, Ondjaki (lido, sim, eu repeti).
  3. Um livro asiático: O livro do Chá, Kakuro.
  4. Um livro de terror: Drácula, Bram Stoker.
  5. Um livro russo: Crime e Castigo, Dostoiévski.
  6. Um livro alemão: A Montanha Mágica, Thomas Mann.
  7. Um romance histórico: Os Buddenbrock, Thomas Mann.
  8. Uma biografia: Os irmãos Mann, Nigel Haminton.
  9. Um livro lançado antes de 150o: Divina Comédia, Dante.
  10. Um calhamaço: O homem que ri, Victor Hugo.
  11. Um fantasia: (Ainda estou pensando, não sou fã do gênero, mas me indicaram História sem fim).
  12. Um livro escrito por mulher: Dias de abandono, Elena Ferrante.
  13. Um livro considerado difícil: Ulisses, James Joyce.
  14. Um livro extra: O idiota, Dostoiévski ou/e Uma vida pequena, Hanya Yanagihara (sim,vou tentar ler os dois).

Para maiores informações: grupo do face.

Desafio Livrada 2017

Não podia faltar, né? Este ano estou super-empolgada, vamos ver se dá certo dessa vez! Vamos as categorias!

  1. Livro ganhador do Jabuti: Benjamin, Chico Buarque.
  2. Um livro japonês: O livro do chá, Kakuro.
  3. Um livro que explore o erotismo: Delta de Vênus, Anais Nin.
  4. Um roman à clef: O homem sem qualidades, Robert Musil.
  5. Um livro com protagonista detestável: Noite e Dia, Virginia Woolf.
  6. Um livro triste: Dias de Abandono, Elena Ferrante.
  7. Um livro de um autor que conheço pessoalmente: Algum da Ana Miranda.
  8. Um livro com engajamento político: Os sonâmbulos – vol1, Hermann Broch.
  9. Um livro que ganhei de um amigo: Dublinenses, James Joyce (Ganhei do Marcelo).
  10. Um romance psicológico: Crime e Castigo, Dostoiévski.
  11. Um livro escrito antes do Renascimento: Divina Comédia, Dante.
  12. Livro resenhado pelo Livrada: Pais e filhos, Turgueniev.
  13. Um livro de correspondências: Caro Michele, Natalia Ginzburg.
  14. Um livro que se passa em um lugar que você já esteve: Quem tem medo de vampiro?, Dalton Trevisan (São Paulo).
  15. Vida e Destino, Vassilli Grossman.

Maiores informações: insta do Livrada.

Então, ficaram assustados? Vamos ter fé e acreditar, não é? rsrs. Torçam por mim!

 

Uma História Lamentável, Fiódor Dostoiévski.

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Mover este amor indescritível por Dostoiévski para frente é simplesmente entorpecedor a cada nova leitura, a cada nova descoberta. Encontrei esta pequena narrativa sua em uma biblioteca e, por ser curtinho, devorei-o em minutos. Mas Dostoiévski é só um e único, então já pode imaginar o que também vos espera.

Uma História Lamentável conta a breve aventura de um liberal juntamente com sua ideia apaixonadamente cega. Iván Ilítch Pralínskii é um jovem de alto cargo. É o Conselheiro de Estado da Rússia. Vindo de boa família, estudou nos melhores colégios e teve bom êxito em seu cargo, tornando-se general muito novo. Bastante rico, mas de uma imaginação excessiva e exagerada. Adotou para si as novas ideias liberais da Rússia, o que o cativou bastante.

A ideia lidava com o tema “humanidade”. Entoava eloquente a assertiva que a humanidade irá salvar o mundo, humanidade em sociedade, tratados de igual para igual, sem distinção de classes, “que são homens como nós!”, a humanidade do mais alto funcionário ao menor deles, e explica de que forma pode levar isso a público.

“Formulemos um silogismo: eu sou humano, logo sou amado. Amam-me, logo têm confiança em mim. Se têm confiança em mim, é porque acreditam em mim; se acreditam em mim, logo me amam… […] se acreditam em mim, acreditarão também na reforma, e esse é o ponto capital da questão: todos se abraçarão moralmente e a coisa se fará de um modo amistoso e fundamental.”

Mas três palavrinhas arrasariam completamente a ideia que adotara.

“– Nós não suportaremos.”

“Nós não suportaremos!” Mais tarde essas palavras fariam completo sentido para o visionário Pralínskii. Mais tarde ele poria em prática tudo o que obstinava ser de então por diante; provar aos demais que “não suportar” significa render-se a um sistema imutável que exige homens que mandem e homens que obedeçam. Seguiu em frente e provou da própria ideia.

Entrou na festa de casamento de um de seus funcionários pobres sem ser convidado, provocou temor, como bem previra, em todos, mas logo anunciou seu lance de paz e pediu que os demais continuassem os festejos. Manteve aproximação da forma que os camponeses mantêm, através da bebida livre e contos de causos. Então o ambiente voltou ao movimento normal, implicando no esquecimento do alto chefe, o que nada lhe agradou. Resolveu expor suas ideias para chamar de volta a atenção. Mas o retorno não foi bem o esperado.

“[…] O senhor veio aqui para se exibir e ganhar popularidade. […] o senhor veio aqui para exibir a sua humanidade. O senhor estragou a nossa festa. Embebedou-se de champanha sem pensar que champanha é uma bebida cara demais para um modesto funcionário que ganha apenas dez rublos por mês.”

O choque lhe foi profundo. Tentou retirar-se do local, mas, por um tombo, desmaiou. Acordou no outro dia arrebatado com o dia anterior. Volta ao trabalho após longos oito dias de reflexão sobre aquela verdade cruel e como lidar com ela da melhor forma. O resultado da reflexão o fez afundar-se em grande desalento e vergonha.

“[…] Severidade, severidade e só severidade!”

Comentar este conto sem citar a máxima de Maquiavel é como se se esquecesse do principal:

“Disso surge uma questão: se é melhor ser amado que temido ou o contrário. A resposta é que seria necessário ser uma coisa e outra, mas, como é difícil reuni-las, é muito mais seguro ser temido do que amado, quando se deve renunciar a uma das duas.”

“– Não suportei!”

Fim do conto.

Bibliografia

DOSTOIÉVSKI, Fiódor. Uma história lamentável. Tradução de Gulnara Lobato de Morais Pereira. RJ: Paz e Terra, 1996.

MAQUIAVEL, Niccolò Maquiavelli. O Príncipe. Tradução de Ciro Mioranza. SP: Editora Escala, 2008.

Persépolis, Marjane Satrapi

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Persépolis não foi o primeiro quadrinho que li, mas fazia muito tempo que não lia nada. Ele não só me prendeu, mas me emocionou e mudou muitos conceitos que eu tinha.

Persépolis é a história da própria autora contada em primeira pessoa. Podemos acompanhar junto com a mesma o início do regime muçulmano no Irã. Presenciamos sua infância, onde tinha certeza de que seria a próxima profeta, o impacto do regime na sua vida escolar, sua adolescência na Europa até sua volta para o Irã.

A relação da menina com Deus foi uma parte bastante interessante de ser notada. Todas as noites a menina conversa com Deus de uma forma bastante pessoal. O momento em que Deus se afasta dela foi muito doloroso. Eis o trecho em que suas fantasias esbarram na realidade dura.

Marjane cresce em um ambiente familiar bastante rico intelectualmente. Ela tem contato com livros desde images (1)Marx até Descartes. As conversas entre eles também são bastante estimulantes, principalmente mostram como crianças não precisam ser tratadas de uma forma infantilizada. Os livros acompanham a menina durante toda a sua vida, e em muitos momentos são seu único consolo.

Fiquei bastante impactada por descobrir que o uso do véu só foi obrigatório nos anos 1980, pois sempre fui a favor do respeito das diferentes culturas e religiões e acreditei que fosse um costume de séculos. Saber disso me mudou bastante, saber que isso pode acontecer com qualquer lugar (ditaduras não são exclusividade oriental) me assustou.

O período em que Marjane viveu na Europa me mostrou como nós ocidentais somos preconceituosos e queremos que outras pessoas sigam nosso rótulo para elas. A personagem foi acusada de não ser iraniana o bastante. Em muitos momentos precisou negar sua identidade ou era tratada como um animal de circo.

download (2)Ver além do nosso ponto de vista é algo que sempre venho trabalhando em mim. O preconceito surge do desconhecimento do outro lado da história. Há um perigo enorme em uma história única, alerta que nos faz Chimamanda Ngozi, escritora nigeriana em um vídeo disponível na internet. Em qualquer história que nos for contada, sempre haverá um outro lado. No caso de Marjane, o outro lado é completamente desconhecido no outro lado do mundo.

A importância de Persépolis ultrapassa a deliciosa leitura de um quadrinho, claro que os traços dos desenhos são fabulosos, mas ele representa a outra história. Ele nos sensibiliza e nos coloca dentro do Irã que não conhecemos, juntamente com o Irã que nós conhecemos. Precisamos ouvir todas as histórias, nem que seja um pedaço dela.

Orlando, Virginia Woolf

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Orlando é um livro que deseja sua entrega… Por isso mesmo minha leitura foi lenta. Fui me deliciando em cada palavra e imagem construída por Virginia. Ao conhecer o Orlando, me apaixonei… Além de ele ser um rapaz muito bonito, segundo a descrição:

“O vermelho de suas faces era coberto de uma penugem de pêssego; a penugem do buço era apenas um pouco mais densa que a das faces. Os lábios eram finos e levemente repuxados sobre dentes de uma deliciosa brancura de amêndoa. Nada perturbava o breve, tenso vôo do sagitado nariz; o cabelo era escuro, as orelhas pequenas e bem unidas à cabeça. (…), temos que reconhecer que possuía olhos como violetas encharcadas, tão grandes que a água parecia chegar às bordas e alargá-los; e uma testa como a curva de uma cúpula de mármore, apertada entre os dois brancos medalhões das têmporas.” p. 10

Orlando também é pertencente à nobreza, e além de tudo apaixonado por literatura. A história narra a vida desse personagem apaixonante e enigmático. A construção do personagem beira ao surreal, mas também possui toques de realismo ao retratar a sociedade nobre com todos os seus luxos e suas hipocrisias.

O tempo na obra não segue a lógica racional. Orlando vive mais de trezentos anos. Sua biografia inicia no reinado da rainha Elizabeth I e vai até depois da primeira guerra mundial. Virginia busca reconstruir o conceito de romance ao desconstruir o tempo cronológico na obra.

O que mais impacta a maioria de seus leitores é a mudança de sexo de Orlando. O que é visto pelo personagem como algo comum. Fato esse ocorrido como uma forma de mostrar a visão das mulheres da época, principalmente em relação a mulheres escritoras. Pois Lady Orlando discute em várias passagens sua relação com a literatura.

Li em algumas resenhas que o livro de Virginia Woolf era chato. Fiquei chocada, pois somente alguém com pouca bagagem literária diria algo assim. Orlando é uma obra densa, mas que nos enriquece com reflexões acerca dos sexos, literatura e acerca da vida em geral. Orlando foi ser visto também, por muitos críticos, como uma autobiografia da autora.

O que mais me interessou na obra foi sua estrutura onírica, pois Orlando nos mostra uma forma de relato que nos lembra de nossos sonhos, apesar dos relatos históricos do personagem.

Enfim, se você deseja um estímulo literário prazeroso que te coloque dentro de um universo Onírico, esse é um livro que vale a pena…

O Diabo, Tolstoi

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“E na realidade, se Eugênio Irtieniev era um doente mental, então todos os homens são doentes mentais do mesmo modo; e os mais gravemente doentes da mente são sem dúvida aqueles que descobrem nos outros sintomas de loucura que não descobrem em si mesmos.”

Em tempos de feminismo, deparo-me com O Diabo, de Leon Tolstói, cuja temática polêmica do conto, o impulso sexual desenfreado dos homens, vai na contramão a tudo o que é defendido por elas. Eugênio é um rapaz que sofre por conter um imenso impulso sexual, mas por também considerá-lo inadequado. O Diabo é um dos contos mais famosos do Tolstói.

O conto nos narra inicialmente o desespero de Eugênio por sentir desejo sexual, segundo ele em demasia, mas como não quer decepcionar a familia, no caso seu pai e seu avô nunca se envolveram com as camponesas, fica desolado. Mas ele pede a Danilo que encontre uma camponesa, mas justifica-se afirmando que é um caso de saúde. Danilo encontra uma moça que vai e se deita com Eugênio de bom grado. Aos poucos o rapaz percebe que a moça é casada com o filho de um dos seus empregados e fica bastante envergonhado. Mas como é questão de saúde ele continua, lembrando-se sempre que quando fosse casar tudo terminaria. Chega a hora do casamento. Eugênio casa com Liza e tudo parece bem. Mas o moço começa a ver a camponesa nos momentos em que precisa vistoriar a fazenda. O impulso de deitar-se com ela é tanto que o rapaz entra em desespero. Até que toma uma terrível decisão…

A escrita do conto é bastante linear, sem muitas complicações. O tempo é mostrado segundo os acontecimentos narrados por um narrador em terceira pessoa, mas que conhece todos os pensamentos do personagem principal. Este é bastante complexo em sua construção, onde o leitor percebe o desespero do rapaz e passa a também ansiar por esse momento.

Tolstói fala em seus diários, segundo sua biografia, que também passa por esse terrível sentimento que perpassa todos os homens segundo o autor. Acho que na verdade perpassa todas as pessoas… Mas naquela época, o autor ainda via a mulher como algo apenas para o amor e filhos, não para divertimento. Sua esposa, inclusive, também confirma seu conceito ao dizer que sente nojo do marido ao descobrir suas paixões pelas camponesas da fazenda.

A ansiedade causada por paixões fora do relacionamento oficial ainda hoje perpassa-os como um problema. O ser humano sente o impulso do prazer de uma forma bastante forte, mas as convenções da sociedade nos dizem que precisamos ser fortes e dizer não, principalmente nós mulheres.

Ainda não possuo opinião formada sobre o assunto, mas percebo o quanto o tema do conto ainda hoje nos é atual. Peço que as feministas entendam o contexto da época e percebam Eugênio como um ser humano. Suas ansiedades e dúvidas são as de qualquer ser humano, seja ele homem ou mulher. Quaisquer outros modos de ver, para mim, seria um anacronismo com o autor e sua obra.